Felipe Afonso colocou em atos e palavras seus desafios. Surdo oralizado e usuário de implantes cocleares (dispositivo eletrônico implantado cirurgicamente que ajuda pessoas com perda auditiva), ele transforma suas experiências com a deficiência em literatura e crítica social. Felipe autografa o livro “Nuances da Exclusão” nesta quinta-feira (15), às 18h30, no primeiro piso do TopShopping, no Centro de Nova Iguaçu, (perto da loja da Vivo). A iniciativa faz parte do Programa Municipal de Incentivo à Leitura e à Escrita da Prefeitura de Nova Iguaçu, por meio da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (FENIG), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMCULT).
Além de escritor, Felipe Afonso é palestrante e Engenheiro da Computação, desenvolvedor de softwares. Nascido em Nova Iguaçu, morador do bairro da Cerâmica, ele iniciou na escrita no romance “Nuances do Silêncio”. Em “Nuances da Exclusão”, ele apresenta a autobiografia que levanta questões como a distância entre o discurso da inclusão e a realidade das pessoas com deficiência. Temas como as barreiras de comunicação, os impactos emocionais da surdez e as contradições de uma sociedade que se apresenta como inclusiva estão em destaque.
“Passei pela exclusão em várias etapas da vida. Na dificuldade de acesso às tecnologias assistivas, que são caríssimas, na falta de acessibilidade em sala de aula e no preconceito no mercado de trabalho. Mas, o que mais pesa é a exclusão social que vem junto com tudo isso. Essas barreiras limitam oportunidades e fazem a gente se sentir de fora, mesmo estando presente. Um dos maiores desafios é me adaptar o tempo todo e ainda explicar por que preciso de determinadas condições para participar. É desgastante ter que pedir o básico como se estivesse pedindo um privilégio”, descreve o autor.

O livro, que começou como ideia para um artigo, se tornou o relato de uma trajetória, acompanhada de depoimentos de educadores, pais e pessoas com deficiência que revelavam dores compartilhadas, barreiras na escola, na saúde, no trabalho e nas relações sociais. “O livro questiona as incoerências da inclusão, sem romantizar dificuldades nem transformar falhas estruturais em histórias inspiradoras. Escrevo na esperança de que possamos dar um passo difícil e necessário: admitir que erramos feio com as pessoas com deficiência. Talvez só assim possamos enfrentar o fracasso que, de tanto se repetir, passamos a achar normal”, afirma Felipe.
Entre os autores que inspiram Felipe Afonso está Nassim Nicholas Taleb, médico oncologista e pesquisador de antropologia, pela disposição de questionar ideias que muita gente aceita sem pensar muito. “Isso me inspira a escrever com mais liberdade, sem suavizar uma crítica só porque ela pode incomodar. Acho importante compartilhar pela literatura, a experiência de quem vive essas dificuldades. É uma forma de fazer o leitor se aproximar de uma realidade que talvez nunca tenha precisado enxergar. Uma coisa é ouvir falar de exclusão. Outra é acompanhar o que ela faz com a vida de alguém, com suas relações, suas oportunidades e até com a maneira como essa pessoa passa a enxergar a si mesma. Minha experiência não é a de todo mundo, mas pode ajudar o leitor a perceber situações que antes passavam despercebidas”, finaliza Felipe Afonso.
