Histórias de uma mulher extraordinária na Noite de Autógrafos Fenig

Merany

Uma nova viagem literária na Noite de Autógrafos FENIG vai acontecer nesta quinta-feira (10), às 18h30, na sala da Praça de Eventos, no primeiro piso do TopShopping, no Centro de Nova Iguaçu. O escritor iguaçuano M. Marcel Peixoto lança o livro Merany – Um Rio que Atravessa, no evento do Programa Municipal de Incentivo à Leitura e à Escrita da Prefeitura de Nova Iguaçu, através da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (FENIG). A ação apoia os escritores locais, promovendo suas obras e conectando o público com os livros.

“Merany – Um Rio que Atravessa conta a trajetória de uma mulher de 85 anos cuja vida foi marcada por desafios, perdas, fé, acontecimentos extraordinários e uma singular capacidade de seguir em frente”, destaca o autor.  Segundo a sinopse, no distrito de São Pedro de Itabapoana, no Espírito Santo, começa a história de Merany, que entre fazendas de café e memórias que se confundem com o próprio tempo, se torna testemunha viva de um mundo em constante transformação. A trajetória dela é marcada por resignação, amor incondicional e devoção ao sagrado. O leitor é convidado a mergulhar em acontecimentos extraordinários e místicos. Mais do que uma biografia, a obra é um convite à reflexão sobre como reagimos às adversidades e sobre o poder da espiritualidade em sustentar a caminhada.

O autor M. Marcel Peixoto

Entre as muitas histórias incríveis compartilhadas no livro está o fato de que Merany “morreu” aos 7 anos. A cerimônia fúnebre foi iniciada, mas quando a família foi fechar o caixão, o pai percebeu que ela estava mexendo os cílios. O pai gritou “minha filha está viva”. Há quase 80 anos atrás, numa cidade do interior, o que seria motivo de alegria deixou a população assustada. Merany acabou ficando isolada dos irmãos porque achavam que aquilo pudesse ser contagioso. A vida dela começava a ter grandes desafios. A ciência explica a suposta “morte” temporária: ela teve uma catalepsia, condição médica transitória que deixa o corpo paralisado, com os músculos rígidos e incapacidade de falar ou se mover, mas consciente.

“O desejo de Merany de deixar registrada a sua história de vida foi o ponto de partida para eu escrever essa história. Ao ouvi-la, percebi que havia ali algo que ultrapassava a própria biografia: a ideia de que não são apenas os acontecimentos que definem uma vida, mas principalmente a maneira como lidamos com eles. Merany enfrentou dificuldades, perdas e grandes desafios e, ainda assim, preservou o sorriso, a fé e a capacidade de buscar a felicidade” afirma M. Marcel Peixoto, que é morador do Centro de Nova Iguaçu, e, além da escrita, trabalha como Engenheiro Civil.  

Merany – Um Rio que Atravessa é o quarto livro do autor que começou a escrever de maneira inusitada. “Em 2020, em plena pandemia, ganhei de minha esposa um mapa astral. Durante a leitura, o astrólogo identificou uma forte presença de Clio — a musa grega da História — e me perguntou se eu escrevia, acrescentando que eu deveria escrever. Aquela conversa despertou algo que, talvez, já estivesse em mim. Pouco depois, veio o primeiro livro O Verso da Escravidão. Em 2024, também passei a integrar o coletivo iguaçuano Aleatórios Literário, experiência fundamental para o desenvolvimento da minha escrita. Em 2025, publiquei o infantil O Peixinho Dourado e a Praia Encantada e, neste ano, seu segundo volume, O Peixinho Dourado e a Mata Encantada. Este último foi apresentado pela editora na Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, em abril, e teve seu lançamento no Brasil essa semana na Bienal Internacional do Livro de São Paulo”, conta Peixoto.

A escrita de M. Marcel Peixoto é inspirada em Machado de Assis. O autor também acompanha a obra de Luiz Antonio Simas, cuja escrita ligada à rua, à cultura popular e às histórias que muitas vezes ficam à margem da narrativa oficial o interessa muito. No campo das biografias, gênero literário de Merany – Um Rio que Atravessa, Peixoto tem como referências importantes Fernando Morais e Ruy Castro.

“O que mais me inspira a escrever é a possibilidade de provocar sentimentos e reflexões. Dar vida a personagens e contar histórias que talvez não fossem contadas e, em alguns casos, eternizar trajetórias reais, como a de Merany, é extremamente gratificante. Acredito que a literatura também seja uma forma de deixar marcas da nossa passagem pelo mundo. Talvez seja essa ideia de legado uma das minhas maiores motivações para escrever. Gostaria de destacar a importância da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu no incentivo à cultura e, especialmente, aos artistas e escritores da nossa cidade. Tenho uma gratidão muito particular pela FENIG, que me apoia desde o meu primeiro livro e que também foi responsável por me aproximar do Coletivo Aleatórios Literário, experiência que considero determinante para o meu desenvolvimento como escritor”, finaliza M. Marcel Peixoto. 

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